A minha primeira crónica...

«Que há nesse espaço que as letras não confinam,
nem a palavra ocupa, não culpada
das suas breves, oscilantes sílabas,
responsável só ela pela completa violação dos silêncios,
pelo crisma perpétuo dos poemas,
pela pedra a pedra a organizar-se em dedos e em dentes,
a ressurgir dos ventos e dos ventres?
O que há no ritmo que os lábios prendem e libertam,
cansados da linguagem, quando as bocas
são templos vazios e as vozes, hálitos apenas,
alimentam os fundos alicerces da palavra?
O que há nessa palavra que morreu?»
António Rebordão Navarro